Drummondiana



Drummond é meu poeta preferido, todos sabem. Mas, não sabem por que razão. Explico.

Eu o amo porque ele tem a capacidade de condensar toda a beleza do mundo em poucas linhas. Ele fala sem enrolar. É duro ou amoroso, é delicado ou cruel, em pequenas palavrinhas colocadas milimetricamente juntas. É da sua simplicidade que gosto mais que tudo.

Eu queria ser assim, poesia dele. Simples, bela e condensada. Existir sem ter que ser alguma outra coisa que não beleza e poesia. Queria poder explicar sem falar.

Melhor olhar. Ou ler. Ninguém diz melhor que ele.

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Ao Amor Antigo

O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
a antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.

Carlos Drummond de Andrade

1 comentários:

Rafael Calvin disse...

amor antigo dói
docilmente

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